
Ainda seca
Sem cores
Nem amores
Nas palavras falhas.
Rabiscos
Tic-tac, tic-tac, tic...
Castanhos
Escuros
Olhos
Fechados
Pincel
Molhado
Sonhos.
Breno Maia

Calma, calma, gente...
Não digo que não gosto de povo ou que tenho medo de multidões...não é nesse sentido o título desse comentário (post).
Quero só mostrar um certo...desgosto...
Certa resistência....
Algo como uma impaciência...
com o comentário mais comum e corrente no dia em que acaba uma eleição do tipo da de ontem, em que todos obrigatoriamente votam e a cidade - principalmente uma interiorana, como a minha - pára pra ver o que comumente se chama de “O Espetáculo da Democracia”
Dizem...
“O povo não sabe o que faz”.
Não estou de forma nenhuma querendo, cinicamente, fazer valer uma das máximas mais “lugar comum” de todas; a de que “a voz do povo é a voz de Deus”...
Não...a voz do povo não é a voz de ninguém “além” do povo...
Mas o que digo é que o povo é abandonado à própria consciência – que na verdade não é própria - pela “democracia” e pela “cidadania”;
ao certo, porque a democracia prefere o espetáculo, feito pra quem a desconhece completa e absolutamente...
e a “cidadania”...? Quando os cidadãos são chamados a exercer a cidadania, além do período eleitoral? Muito ao contrário, aliás, o povo é ludibriado por uma mídia grande golpista que criminaliza qualquer iniciativa em que os indivíduos tentem exercer a tão clamada – no período eleitoral – cidadania.
Ouvi falar, de um velho sábio, que “TUDO NA VIDA É PRÁTICA”
Mas como exercer “bem” a cidadania na hora de votar, que parece ser o único momento importante da trajetória da cidadania brasileira, se no tempo em que não existem candidatos a cargos eletivos (e muito bem pagos), o “querido”, o “necessário” povo não pode agir, enquanto coletivo, sem levar o rótulo de bandidos, arruaceiros, vândalos, entre muuuuitos outros adjetivos?
Acho que não gostam de democracia e cidadania como elementos “perenes” na sociedade brasileira...
Preferem (quem?) o espetáculo...
Não “gostam” de conviver sempre com o povo...
Preferem (???) dar-nos um “presente” bienal...
Inaê S. de Vasconcellos
(nova – e super-irregular desde o começo – colaboradora desse blog)


Zapeava os canais, quando um programa chamou-me atenção. Era o duvidoso ‘Fala que eu te escuto’, da Rede Record. Os bispos e apresentadores discutiam o porquê de uma imprensa tendenciosa: para ser atrativa comercialmente, por interesses ou por preconceitos? Uma pequena indagação, antes da discussão central do texto: o primeiro motivo não se enquadraria dentro do segundo?
A tela da tevê se dividia em duas: à esquerda passavam-se matérias, as quais denegriam a imagem da Rede Globo e à direita, os responsáveis pelo circo, em estúdio, ouviam os participantes.
A maioria dos sábios telespectadores respondia com tranqüilidade que a imprensa é tendenciosa porque atua baseando-se em interesses. Não duvido disso. Muitos destes ‘metiam o pau’ na emissora carioca, chegando alguns até mesmo a defender que ela seria a única imprensa televisiva tendenciosa. Quanta estupidez!
A produção do programa, obviamente, selecionava àquilo que gostaria de ouvir e de divulgar: ataques à emissora dos Marinhos, sua maior concorrente. O assunto da atração escancarava os reais intuitos da emissora e ainda havia quem tivesse a coragem de criticar, exclusivamente, a Globo.
Não tentem me convencer de que a emissora paulista não atua segundo seus interesses, muito destes em favor da Igreja Universal, sua dona, até porque seria ilógico. Prova disso era a exibição do próprio programa.
Não estou aqui na posição de defensor da Rede Globo, até porque estou ciente de seu perigoso poder de atuação, mas deixo minha indignação perante uma emissora de televisão que jamais poderá tecer críticas à emissora global, uma vez que desempenha um papel tão podre quanto à outra.
Sendo a Globo um exemplo a não ser seguido, o que leva a Record a copiá-la descaradamente, seja na programação, na cenografia, na contratação de profissionais etc.?
Para os ditos anti-globo, uma observação: não adianta criticar de maneira efusiva a Globo e, assim que chegar em casa, após um longo dia de trabalho, ligar a tevê para assistir o ‘Jornal Nacional’ e, logo após, a novela das oito que começa às nove, até porque seria uma grande contradição.
A imprensa é um reflexo da sociedade. Aquela mostra o que esta deseja assistir. O circo está armado.
Imagem: Revista Carta Capital
